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Parece que o Grêmio não quer

O conformismo não veste a torcida. Com 24 anos de idade, eu vivi muita coisa bonita recentemente e queria ver o Grêmio campeão brasileiro. Mas parece que o Grêmio não quer. 
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No dia em que eu nasci, ao fim de Julho de 1996, o Grêmio sequer no Brasil estava. Excursionava pela Europa, em outros tempos do nosso futebol.
Ao tempo da minha mãe me dar os primeiros banhos, o Grêmio disputava o torneio “Agrupación de Peñas Valencianistas”, onde bateu o Valência da Espanha e foi campeão. O Grêmio ainda jogou na Holanda e na Alemanha. Essa era a preparação do atual campeão da Libertadores para mais um Campeonato Brasileiro.
Havia sido campeão gaúcho menos de um mês antes – batendo o Juventude na final – e a vida ia bem. Eu vivia a boa vida de um bebê recém chegado numa casa gremista e o Grêmio? Ah, o Grêmio de Felipão era aquele, né?
Antes de eu sequer completar 6 meses, meu pai me vestia de azul celeste, preto e branco. Eu era um bebê campeão brasileiro!

O tempo passou. Cresci. Vivi na infância e na adolescência o inferno astral gremista e tive que aguentar a glória deles. Tudo bem.
Quando eu completei 20 anos, vi o Grêmio acabar com o jejum maldito e até tatuei a data do título da Copa do Brasil de tão inesquecível que foi.
Minha entrada na vida adulta foi vendo o Grêmio do melhor futebol do Brasil, o Grêmio de Renato Portaluppi no comando, o Grêmio de Geromel e Kannemann.
Vencemos praticamente tudo, tivemos um final de década glorioso. Mas ainda falta algo, concordam? Claro, o título brasileiro!

Eu sou um defensor ferrenho de Romildo e Renato. Sempre entendi e argumentei a favor da ideia de “abandonar o Brasileiro”
– É em prol das copas! – dizia cheio de razão em qualquer discussão futebolística.

E sempre foi. E a gente sempre entendeu. Em 2016 e 2017, deu certo. Títulos.
Em 2018, as taças das copas não vieram. Mas a gente seguiu entendendo.
Em 2019, a mesma coisa. Mas mesmo eu, que viajei de Gramado ao Rio de Janeiro e vivi o 5 a 0 na pele, segui dando crédito a estratégia.
– Foi um acidente. Fomos o único clube do Brasil a ser top 4 nas competições importantes (Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores) – segui firme no argumento, mesmo quando alguns gremistas já esbravejavam a ideia de desistir do campeonato nacional.

Agora, em 2020, a coisa muda de figura. O campeonato inicia sem nenhuma copa ao mesmo tempo.
Quatro rodadas de campeonato e o Grêmio patina por bobagem. Ganhou na estreia, mas no segundo jogo inesperadamente escalou reservas contra o Ceará. Saiu perdendo e quando empata, vimos pela TV o time segurando o jogo, como que satisfeito com o empate. Conformado.
Terceira rodada, empata com o Corinthians em casa perdendo pênalti. E a posição da comissão e dirigentes? É que o resultado foi bom. Conformados.
Na quarta rodada, tropeça contra o Flamengo. Saiu ganhando, tomou o empate e o time estava como? Conformado em campo.

Parece que na próxima rodada vão escalar reservas no Campeonato Brasileiro em prol da final do Gauchão contra o Caxias. Quê? E se o resultado for ruim em São Januário, conformados ficaremos?

O conformismo não veste a torcida. Com 24 anos de idade, eu vivi muita coisa bonita recentemente e queria ver o Grêmio campeão brasileiro. Mas parece que o Grêmio não quer.


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