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OPINIÃO | Você é mais importante que o Cristiano Ronaldo: a torcida é quem faz o futebol

Um texto sobre torcida, elitização e os rumos do esporte mais apaixonante do mundo
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A atratividade de uma partida de futebol, creio eu, se mede basicamente por 3 fatores:

QUALIDADE

É o menos importante. Mas quanto mais craques, melhor. É óbvio. Mais atrativa se torna a partida.

COMPETIÇÃO

Vale o quê? A importância da competição (e sua respectiva fase) é fator fundamental nesta equação. Por isso a Copa Sul-Americana é tão desvalorizada, porque não prova nada – os melhores da América estão na Libertadores. Até os estaduais provam algo (quem é o melhor time de cada Estado). Pelo mesmo motivo, torneios como Suruga Cup, Florida Cup e afins, mesmo eventualmente reunindo grandes clubes e enchendo estádios, não geram jogos relevantes e atrativos.

TORCIDA

É o fator mais importante de todos. A atmosfera do estádio faz toda a diferença. Nada pode ser mais triste – e errado – do que punição de clubes jogando com portões fechados. Vai contra premissas básicas do futebol. A torcida faz parte do jogo, tanto quanto a bola. Estádio vazio é ruim até pra quem assiste pela TV. Estádios lotados e com torcidas empolgadas elevam consideravelmente o nível de atratividade de uma partida.

Ah, mas eu discordo que qualidade seja menos importante e torcida seja mais“. Vamos lá… Imagina que você pegou o controle remoto da televisão agora mesmo. Está colocando no seu canal de esportes predileto. Quando entrar no canal, que jogo deseja que esteja passando? As opções são:

– Amistoso entre os maiores craques do mundo, no sítio do Messi. Sem torcida, sem valer nada. Só fera. Os maiores jogadores do planeta estão ali, divididos em dois times;

– Taça das Favelas. Já ouviu falar sobre essa competição? É um torneio entre comunidades do Rio de Janeiro  – que se alastrou para outros Estados. Já tive a oportunidade de conversar sobre ela com o Dando de Antares (da comunidade de Antares), que já foi bem envolvido com o projeto. É incrível! Pega fogo dentro e fora das 4 linhas.

Não tenho dúvidas em qual jogo há mais qualidade. Mas também não tenho dúvidas que eu escolheria assistir ao outro. Tem torcida pulsando, rivalidade local… É outro jogo. “Ah, mas e aqueles jogos cheios de craques e com estádios lotados, Amigos de Fulano X Amigos de Ciclano. Então esses são pesados no seu conceito?” Claro que não. Primeiro que a “torcida” está de sangue doce, é diferente. Botei aspas ali porque nem considero torcida nesses casos, são espectadores, plateia. Não torcem efetivamente por nada. E mesmo assim, o fator Competição é nulo nesse caso, o jogo não vale nada. A Taça das Favelas vale muito para os envolvidos – e, em muitos jogos, reúne número de torcedores bem superior à média de público do próprio Campeonato Carioca.

A elitização é um caminho burro que mata o esporte. É destruir o milharal para abrigar mais galinhas dos ovos de ouro. Uma hora elas não vão ter o que comer. O caminho do futebol é ser acessível, apaixonante, inclusivo, pulsante. Novas gerações não têm mais acesso aos estádios, tá tudo caro. Daqui a pouco vão preferir outro esporte, outra atividade. Vão torcer pelos times da Europa (já está acontecendo). E quando conseguem ir aos jogos, se deparam com ambientes mais frios, teatrais, elitizados, silenciosos, sem bandeiras, sem fumaça, sem a festa de outrora.

Tenho fé que uma hora os manda-chuvas do esporte vão se dar conta disso. Torço por um processo de taçadasfavelização do futebol brasileiro. Ingressos baratos e paixão nas arquibancadas. O dinheiro vem de outras formas; pensar em renda só com ingressos é coisa do século passado. Futebol é feito por paixão (o próprio dinheiro vem dela), e essa paixão é alimentada por cenários apaixonantes.

Lucas von
TT @lucasvon | IG @lucas_von
fb.com/olucasvon | falavon@gmail.com

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Na Alemanha, clubes são obrigados por lei a disponibilizarem setores populares – Foto: Martin Meissner/Associated Press

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