Destaques Grêmio Lucas Von Opinião Torcida

O GAUCHÃO NÃO VAI VOLTAR

Opinião de Lucas von sobre o retorno do futebol no RS
Compartilhe

O Gauchão 2020 vai não vai voltar.

As datas estão marcadas. Teremos uma bola no centro de um gramado, 11 jogadores de um lado, 11 jogadores do outro… Mas o Gauchão 2020 não vai voltar.

Eu poderia simplesmente dizer que é um absurdo querer jogar futebol durante a maior crise sanitária da nossa geração. Expondo tanta gente a um risco desnecessário, usando testes que fazem falta aos profissionais da saúde, armando todo esse circo enquanto brasileiros morrem, aos milhares, a poucos metros dos estádios… Podia apelar pro bom senso, e fim de papo.

Mas eu sei que não é tão simples. Sei que, além dos interesses econômicos, o futebol também tem a capacidade de alegrar as pessoas – e, convenhamos, alegria é tudo que precisamos neste momento. Mais que isso, o futebol é uma das maiores invenções da humanidade!

Futebol é a celebração dos povos! É se sentir fazendo parte de algo maior, algo que amamos incondicionalmente. É abraçar desconhecidos na hora do gol, seja no bar ou no estádio. É o pai criando conexões com seu filho pequeno, erguendo o menino em seus braços no meio de uma celebração contagiante. São estádios pulsando, massas agindo e reagindo em total harmonia.

Nos títulos? Ah, os títulos… É descontrole total. A alegria invade as ruas, os abraços se proliferam em velocidade exponencial, assim como os gritos, os cânticos, as risadas.

É uma alegria pura e genuína de quem FEZ PARTE daquela conquista. Porque, quando o time ganha, NÓS ganhamos. A coletividade está na essência desse esporte, que é apaixonante porque é feito por apaixonados. A torcida não assiste apenas ao jogo: ela faz parte dele. Até mesmo quem assiste pela televisão está querendo ver, também, as reações dos torcedores. É como um show de uma banda: não dá pra fazer sem plateia e transmitir pela TV. Ok, até dá, mas não fica a mesma coisa. Falta um elemento muito importante na composição deste espetáculo.

Mesmo sabendo dessa magia toda que envolve o esporte, eu poderia simplesmente desdenhar do Gauchão. Dizer que “até entendo a retomada do futebol em competições maiores, do jeito que der, respeitando protocolos… Mas Gauchão?” Qual é a importância dessa competição? Em um momento crítico como esse, poderiam simplesmente encerrar um torneio cuja manutenção já vinha sendo questionada muito antes de qualquer pandemia.

Mas eu reconheço a importância do Gauchão. É bonito ver os dois gigantes da capital mobilizando cidades inteiras pelo interior do Estado… Pessoas aglomeradas na frente de hotéis, nas ruas saudando os ônibus, lotando os estádios e fazendo aquela festa típica do torcedor que mora longe do seu time do coração. Além dos títulos estaduais Brasil afora, né? São a válvula de escape de muitos torcedores que, sem isso, amargariam anos e anos sem a glória dos títulos. E, tudo isso, eu reconheço, tem o seu valor.

O problema é que esse retorno do Gauchão não terá nada disso que mencionei. Em outras palavras, o problema se chama PAN-DE-MIA. Que é real e segue implacável, queiramos ou não. Ela impede que haja abraços, torcidas nos estádios, ruas tomadas… Não teremos nem a alegria de fazer parte de algo maior: é cada um em sua casa, isolado. Sem mobilização no interior, sem o descontrole nos estádios, enfim, sem elementos importantes que forjam a essência do futebol.

De fato, as datas estão marcadas. Teremos uma bola no centro de um gramado, 11 jogadores de um lado, 11 jogadores do outro, árbitro, súmula da FGF, transmissão da televisão… Mas o que vai acontecer ali é outra coisa. Outro esporte. Outra competição. Mesmo quando o apito soar e a bola rolar, o Gauchão 2020 não vai voltar.

Saudações azuis, pretas e brancas,
Lucas von.

Foto: divulgação FGF

Compartilhe

Você vai gostar disso