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Dias atrás um amigo comentava comigo sobre como acabamos nos inteirando e aprendendo sobre coisas diversas por causa do futebol, assuntos que inicialmente não teríamos interesse. Mais tarde me peguei lendo uma notícia que estampava a foto de Kannemman e Geromel durante o intervalo de um treino do tricolor nesse retorno “pós-férias”. A matéria tratava detalhadamente dos cuidados nutricionais com os jogadores durante o período de quarentena, orientações de suplementação, especificidades de cada atleta, etc. E eu lendo, empolgado, fiquei frustrado quando a matéria terminou, queria mais, queria saber em qual horário o Everton estava jantando, se o Jean está tomando alguma vitamina especial para prevenção de lesões musculares, se o Maicon segue a dieta aos domingos, enfim, coisas que vão MUITO além do jogo.

E é assim mesmo, o jovem aluno/torcedor brasileiro que só queria saber de educação física era completamente incapaz de aprender o que é uma regra de três. Agora, pergunta pro cidadão sobre estatísticas de posse de bola, mapa de calor, porcentagem de gols do Messi com a perna direita, a velocidade média do Mbappé por jogo…

Outra historinha nada incomum: a disciplina mais odiada pelo indivíduo na escola era geografia, não tinha jeito. Entretanto ele reconhece de cor e salteado as bandeiras de todos os países, capitais, hinos, cultura, nomenclatura nativa, porque aprendeu assistindo a Copa do Mundo e fez o reforço jogando FIFA ou PES.

A multidisciplinariedade do futebol não tem limites, eu nem sabia que havia um quinto metatarso no meu corpo até a lesão do Neymar. Qual gremista não é capaz de recomendar tranquilamente um tratamento para fascite plantar?

E o aprendizado vai muito além de questões de fisiologia, fisioterapia e preparação física. A geração do software alemão sabe tudo sobre administração de clubes, é capaz de usar o termo “superávit” em uma conversa cotidiana. Os cartoleiros estão aptos a debater a especulação do mercado e valorização de ativos. O fã do futebol europeu hoje é instruído a respeito das normas do Ramadã, vide Mohammed Salah e a polêmica do jejum durante uma final de Champions League. O papo de bar qualificado hoje em dia envolve faturamento, economia e gestão, não se limita à pelota, carrinhos e dribles.

Ao que tudo indica o Gauchão deve voltar em julho, o que nos coloca atualmente em um estágio em vigilância sanitária, aproveitemos da melhor maneira. Em primeiro lugar, a saúde. O momento pede que se naturalizem esses conhecimentos o mais rápido possível, a prova real da vida vai cobrar. Além de lavar as mãos, é preciso desinfetar também o cérebro. O futebol e os esportes de maneira geral cumprem um papel fundamental na vida de muita gente. Definitivamente, é muito mais que um jogo.

Texto por: @lucasbrumcorrea

Foto: Lucas Uebel / Grêmio

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