Destaques Grêmio

Faltam apenas 30 dias para o futebol feminino tricolor voltar a copar!

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Faltam exatamente 30 dias até que o imortal tricolor retorne para os gramados, na disputa pelo Campeonato Brasileiro Feminino A1. Com a tabela divulgada pela CBF, os próximos confrontos do tricolor nesta primeira fase serão os seguintes:

29/08- Cruzeiro vs Grêmio
05/09- Ferroviária vs Grêmio
09/09- Grêmio vs Iranduba
13/09- Corinthians vs Grêmio
20/09- GreNal
24/09- Flamengo/Marinha vs Grêmio
28/09- Grêmio vs Palmeiras
03/10- Ponte Preta vs Grêmio
10/10- Grêmio vs São José
18/10- São Paulo vs Grêmio

 

O Grêmio se encontra atualmente na 6° colocação, com três vitórias e duas derrotas, até o momento. Mas, afim de elucidar um pouco mais como o time está se portando no campeonato, segue uma análise destes cinco primeiros confrontos das Spartanas Tricolores.

 

Grêmio 2×1 Minas Brasília

Nesta primeira partida, o Grêmio entrou em campo com 6 estreantes (a zagueira Andressa, as laterais Isa e Rebeca, a volante Kika e as meias Jane e Sinara), no esquema tático 4-5-1, onde Juliana Oliveira, se apresentou como atacante de referência na aérea. O time teve uma pré-temporada curtíssima, o que demonstrou durante o jogo muito esforço e tentativas de controle por setor, porém, pouco entrosamento.
O time demonstrava um maior domínio da bola, mas as atletas tinham que chamar as jogadas de forma individual, o que por vezes se mostrava muito eficaz, mas, durante boa parte do segundo tempo acabou abrindo espaços em demasia. Nisso, o Minas, já desde o início tendo que buscar o placar, já que o tricolor abriu o marcador logo aos 3 minutos, se expadandia em campo – até fazer seu gol de honra.
Este foi um jogo completamente de momentos. Enquanto no primeiro tempo, o tricolor dominava e pressionava sem deixar muitos espaços no campo, no segundo, a chuva prejudicou o estilo de jogo e com isso vieram as dificuldades, que fizeram o Grêmio ter que se fechar ainda mais por zonas e jogar por blocos – trabalhando a bola entre os setores até achar espaço para a ligação, o que não funcionou em certos momentos.
É importante lembrar que o gramado também deixou a desejar. O campo sintético do estádio do Zequinha sofreu com os extremos, começando a partida com a grama quente, nos quase 40°C que fazia, e no segundo tempo acumulou poças, com a intensa chuva que caiu a partir do intervalo.
Mesmo assim, as atletas gremistas não pareceram intimidadas. Mantendo a mentalidade de sempre jogar buscando o ataque. Sem muitas bolas recuadas, mesmo com o jogo individual, tentando achar as colegas em campo em muitas jogadas de dribles (e muitas vezes driblando até mesmo as incontáveis poças do campo).
Destaques individuais:
– Jane Tavares foi o grande destaque da estréia tricolor. Entrou em campo muito bem e se manteve sempre ativa nas jogadas. Quando não participava, buscava se manter próxima para ser opção de passe, servindo sempre como um “respiro” para as jogadas e mantendo o controle da posse de bola para o tricolor. Guerreira, ia pra cima sem dó e cobrou a falta de longa distância que originou o primeiro gol.
– Juliana Oliveira entrou em campo com gana e fome de bola! Não foram à toa seus dois gols. Chamou o jogo pra sua posição e sempre aparecia bem, como solução de finalização em todas as jogadas de ataque, principalmente nas bolas paradas!
– Eudimilla desestabilizou a partida quando chamava pro seu estilo de jogo. Com a chuva, teve que trabalhar mais a bola. Mas, fez fila, foi polivalente e apareceu bem (Salvo o escanteio de 40 centímetros que cobrou em cima de uma poça na altura da canela).
A apresentação foi boa. Salvo as condições no campo, e alguns poucos erros, as atletas gremistas entraram para ganhar e o fizeram! Foram pro campo com uma certa raiva acumulada pela desconfiança que uma parte da torcida e imprensa tinha, e colocaram o sentimento para fora, se entregando completamente na partida!

Audax 0x3 Grêmio

Nessa segunda rodada, mais uma vez entramos em campo com o time diferente, com novos nomes, como a atacante Karina, que retornava de suspensão, e configuração tática, jogando no 4-4-2, com Jane um pouco mais proxima do ataque, o que funcionou bem. Apesar de já podermos contar com algumas figurinhas carimbadas, foi ótimo ver a goleira Raissa finalmente estrear.
O tricolor dominou a bola durante todo o jogo. Apesar de um segundo tempo melhor (com as substituições que entraram cumprindo bem os seus devidos papéis), durante toda a partida manteve o domínio dos espaços em campo. O time soube ser criativo e se arriscou de forma certa nos momentos oportunos.
Que a atacante Marta, que estava retornando da seleção de base, entraria para desestabilizar a partida, se mantendo como ponta de referência para finalização, nós já sabíamos. Mas, não o quanto ela mudaria a partida! Ela foi a guia de finalização e criação de basicamente todas as jogadas de ataque (após sua entrada). Nitidamente tinha a confiança da equipe, o que também ajudou-a a ter mais liberdade para criação das jogadas e dribles. Sempre bem posicionada, com visão de jogo e demarcando os espaços de ataque.
O meio com Kika e Jane também se mostrou muito eficaz. São jogadoras com uma ótima leitura de jogo e consequentemente, fazem as ligações entre os setores de forma ímpar, dando maior velocidade ao meio e retendo mais a posse de bola.
O jogo coletivo do Grêmio funcionou muito melhor nessa partida e nova tática. Mas, também, foi contra um Audax completamente perdido, sem poder de reação, nervoso e que não tinha presença em campo. Nisso, o tricolor apenas tinha o trabalho de ler o jogo e manter a postura ofensiva, que adotou desde os minutos iniciais.
Destaques individuais:
– Eudimilla, novamente, entrou para “esculhambar” a partida. Atleta veloz, que chamou a responsabilidade, driblou e deixou a zaga adversária perdida em certos momentos. O seu gol na penalidade foi apenas uma coroação.
– Juliana Oliveira naquela segunda rodada, se tornou uma das principais atletas. No ano passado, em 8 jogos, marcou 6 vezes. E até aquela segunda rodada, em 2 partidas, fez 2 gols e 1 assistência direta. Fora seus números, em todos os lances de gol e ataque, esteve no quadrangular para ser opção de passe ou ter a sobra de finalização.
Contra o Audax foi mais uma ótima partida, de um elenco que a cada jogo vinha se encaixando mais. Que cresceu em conjunto e pode se orgulhar de ter pontos individuais invejáveis.

Kindermann 1×0 Grêmio

Outra vez, o time iniciou diferente. Tivemos a presença de Marta, já como titular – com o intuito de dar mais velocidade para o ataque, e Mariza, para um melhor controle do jogo pelo meio. Uma boa escolha, já que era uma partida em que se precisava segurar mais a bola e ter maior movimentação.
O Grêmio começou pressionando. Mas, logo o Kindermann se impôs no jogo, o que obrigou o tricolor à passar o restante da partida com uma postura mais defensiva e ter que jogar no contragolpe. Assim, temos o grande destaque do primeiro tempo – a goleira Raissa, que operava MILAGRES em baixo das traves, chegando a defender um pênalti.
No segundo tempo, após muita pressão, vieram as substituições. Entraram Gisseli e Eudimilla, afim de dar maior movimentação e velocidade. Porém, a técnica Patrícia adiantou a marcação e adotou uma postura ofensiva na equipe, o que não demorou para se mostrar ineficaz, onde o time que jogava em blocos teve que arriscar mais em bolas de longa distância, o que fez com que abrisse mais os espaços do time, resultando por consequência no gol adversário.

(Opinião pessoal: Se o fator contragolpe era a mentalidade em campo, agora com Eudimilla e Gisseli dando maior velocidade, poderia a técnica aproximar as duas atletas pelo lado esquerdo, dando maior movimentação pelo canto e com uma possível Karol Lins, entrando no ataque, reteria mais a bola na frente. Já que ela tem por característica dominar e segurar mais a bola, visando uma infiltração mais agressiva do setor. Assim, chamaria mais o jogo para o lado ofensivo, sem perder o retorno com velocidade na ponta).

Mas, acabou que com a nova postura, os setores se isolaram devido a forte marcação do Kindermann. O que sobrecarregou a defesa, isolou Marta no ataque e tirou poder de marcação do meio. Que teve que ser mais criativo, mas sem apoio das funções de ligação. Porém, o time em seu primeiro grande teste e dentro de sua limitação se portou bem.
Destaques individuais:
O grande destaque do time nesta partida foi o setor defensivo, que se apresentou de forma incansável. Andressa e Ana Alice deixaram não só o suor, mas a alma em campo, e a goleira Raissa mais que provou sua titularidade e o quanto deve vestir a camisa 1 tricolor!
– Eudimilla também entrou muito bem. Tentou algumas jogadas em velocidade e acompanhou bem o jogo, enquanto esteve em campo. Porém, estava isolada do restante do time, o que dificultou seu estilo de jogo.
Foi uma partida que até então, seria a mais difícil. Maior marcação (houveram 2 cartões para o Kindermann em menos de 2 minutos), nível técnico e postura de jogo. E nisso, a equipe fou bem na entrega. No segundo tempo, nos perdemos em nós mesmos, onde num único deslize saiu o gol das adversárias, infelizmente.
Mas foram 6 pontos de 9, de um time que provava no gramado o seu valor! E, com a bola no pé, calou muita gente!

Grêmio 0x2 Santos

Pra esse jogo, tivemos duas novidades na escalação em relação aos últimos jogos:
– Eudimilla na meia cancha direita, dando mais velocidade para a troca de setores e construção de jogadas; e,
– Bruna Flôr – zagueira raiz – com um ótimo embate corporal.
No primeiro tempo, as duas equipes tiraram faíscas uma da outra. Porém, enquanto o Santos tentava trabalhar o jogo com a bola no chão, em passes curtos e com uma saída em 3, onde a cada domínio, sempre tinha uma atleta como opção de passe na linha da sobra, o Grêmio, por sua vez, apostava em bolas mais longas, mas posicionando o jogo por blocos. O que fazia com que os espaços de marcação se fechassem e a defesa pudesse ser mais efetiva, assim como o trabalho de reposição do meio, para que o ataque viesse com muito mais agressividade. Com as duas equipes, cada uma em seu estilo de jogo, buscando o ataque, o primeiro tempo ficou marcado mais pela vontade e disputas agressivas pelo controle da bola.
*Salvo a bola no travessão da camisa 7, Pri Back, que as santistas tiraram com os olhos.
Aí veio o segundo tempo e Karina que já não vinha muito bem na partida, parecia esperar a bola chegar. Enquanto isso, Rebeca dava o sangue na lateral esquerda, mas sem aproximação do meio.
O time parecia um tanto perdido em alguns momentos, onde sobrava vontade, mas faltava um maior controle da bola. Durante algumas oportunidades, talvez por uma falta maior de comunicação e o time se arriscar muito, faltava cobertura do meio, deixando a zaga mais exposta.
Desde o primeiro tempo, Eudimilla vinha se apresentando sozinha, e, no segundo, se manteve assim. A atleta tinha liberdade para ser criativa, mas o meio sempre parecia esperar a sobra. O que foi extremamente limitante, num jogo onde perdíamos 90% dos embates corporais.
Então, vieram as substituições. Onde Karina saiu para a entrada de Sinara. Talvez a mentalidade desta substituição – uma atacante por uma volante, fosse reforçar o meio com a presença de uma atleta mais veloz, porém, sobrou jogo no bloco e o ataque teve que recuar para tentar buscar a bola.

Sobre os dois gols:
– o primeiro veio num lance completamente de azar da atleta Juliana Oliveira. Gols contra fazem parte, mas, abalou o time em campo.
– o segundo, quando o Santos dominou mais os espaços e se encontrou em campo, foi preciso apenas centrar a bola e construir a jogada que se mostrou letal. De fato, um golaço!

Mas, vamos aos destaques individuais:
– Rebeca se mostrou incansável. Marcava e tentava buscar soluções de ligação entre a defesa e o meio. E realmente pareceu ter 3 pulmões.
– Raissa já mostrou a xerife que é! Fez grandes defesas e virou o ás do time.

TÁ, MAS E A CRISTIANE?
– Nesse jogo, sobre muita pressão da marcação gremista, o Santos se destacou muito mais pelo coletivo do que individualmente. Soube aproveitar seus nomes de referência, mas o fez em prol das jogadas em grupo. Cristiane foi muito bem marcada pela defesa, e Bruna Flôr mostrou uma vontade digna de elogios, fechando os espaços para possíveis jogadas individuais.
Esse era um dos jogos mais difíceis da primeira rodada e nós sabíamos disso. Mas, taticamente, o time ainda precisava de algumas mexidas. Como pode o grupo ter peças, saber se relacionar em campo, mas ainda não conseguir criar jogadas mais eleboradas e trabalhadas, tendo que forçar a criatividade em jogadas longas e sem aproximação? Jogar contra o até então líder invicto, abaixo de um sol escaldante, não seria fácil, porém, mesmo com a derrota, foi lindo e digno ver a entrega de cada jogadora naqueles 90 minutos.

Grêmio 2×0 Vitória

Mais um jogo com um time diferente. Dessa vez Eudimilla entrou no lugar de Jane, Sinara na posição de Kika e Jissele fez a meia direita. Além disso, Karol Lins dividiu o ataque com Juliana Oliveira. Como Andressa estava lesionada desde a última rodada, Bruna Flôr, mais uma vez fez a dupla de zaga com a capitã Ana Alice.
Este foi o primeiro jogo de portões fechados, já em função da pandemia, mas o time não demonstrou receio em campo e dominou todo o primeiro tempo. Enquanto o meio buscava ligações criativas, principalmente entre Eudimilla e Karol Lins, que por pouco não abriram o marcador já no começo da partida. A zaga só foi acionada uma vez, próximo dos 20 minutos de partida. Esse foi um jogo onde o trabalho coletivo apareceu, e boas oportunidades, principalmente surgindo em lançamentos, se mostravam efetivas.
No segundo tempo, após uma cobrança de falta, cobrada e muito bem por Pri Back, a goleira do Vitória tentou defender em dois tempos, a bola quase no ângulo, porém, acabou entrando, abrindo o placar a favor do Grêmio. Próximo do fim do jogo, com Bruna Flôr recebendo o segundo amarelo, Yasmin – que é a provável titular no próximo jogo, entrou, assim como Carlinha, que entrou no início do do tempo para dar mais força ao ataque – nesse momento o time tinha 3 atacantes, e fazer seu primeiro gol do ano e segundo do tricolor na partida.
Destaques individuais:
– Eudimilla foi bastante criativa. Fez a ligação do meio e ataque com velocidade, trouxe perigo para a defesa em jogadas onde lançava com mais profundidade e, auxiliada por Karol Lins, que se apresentou bem e por pouco também não marcou o seu, foi mais eficiente, com a atacante tendo uma maior aproximação.
– Isa se destacou pela mentalidade e visão de jogadas em campo. Em uma partida onde o meio foi mais eficiente, a atleta teve maior liberdade para sair para o jogo e assim, iniciar um maior número de jogadas, além de que com o time mais encaixado, teve mais segurança até mesmo nas tentativas de finalizações.
Este jogo ainda ficou paralisado por um tempo, após choque entre Juliana Oliveira e uma defensora do Vitória, onde esta segunda teve de ser atendida pela ambulância.

O Grêmio é um time que cresceu muito e aos poucos foi se encaixando. A técnica Patrícia tem em mãos uma dor de cabeça boa, agora jogando com o time costumeiramente no 4-4-2, tendo Marta, Karol Lins e Karina, disputando uma vaga ao lado da já titular absoluta Juliana Oliveira. Marta é veloz e desestabiliza a partida com suas jogadas individuais, Karol Lins retém mais a bola no chão buscando uma finalização mais agressiva, já Karina carrega o peso da tradição em ser atleta mais experiente e com maior número de gols com o manto do Grêmio. Além disso, mesmo fechando apenas esse ano seu plantel, o Grêmio vem com uma crescente coletiva notória, onde as atletas já se comunicam mais em campo e tem uma maior confiança no grupo. O que é extremamente importante em um campeonato com tamanho nível de exigência.

Para muitos que acompanham o futebol feminino, o time tricolor é uma zebra no campeonato. Mas, tudo bem. Se fosse fácil não seria Grêmio. E nós que vivemos com a alma azul celeste sabemos que é exatamente nessas circunstâncias e horas, onde o time prova seu valor e se supera, onde mostramos nossa alma charrua e provamos que as três cores, mais que tonalidades num pano, são a marca de que quem nasceu para ser imortal! Não por acaso, as arquibancadas que cada vez enchem mais, vibram elas serem “O ORGULHO DA TORCIDA!”.

Texto por: Mateus Waz

 

Twitter: @MWazmuth

Instagram: @mateus.waz

Divulgação: Grêmio

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