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Espartanas tricolores já tem data marcada com o mais puro sentimento!

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Era um fim de domingo. Eu estava sentado, com meus 9 anos de idade, ao lado do meu tio, num sofá em frente da tv, quando ele sorrindo de repente pulou em pé e me puxou para um abraço. Quando fitei a tv novamente, vi aquela mão batendo no peito e escudo, em comemoração por um gol heróico, após uma partida que foi uma verdadeira batalha dos aflitos. Naquele momento, logo de cara, eu percebi que não importava a cor de sua pele, muito menos sua sexualidade, o que importava, de fato, era SER DE GRÊMIO!

Naquele abraço, após o riso, foi a primeira vez que vi meu tio chorar, e na hora eu me liguei que não era só sobre o gol, mas sobre um sentimento. Sobre se sentir representado. Sobre ver naquele escudo e cores, um significado sobre ser forte e sempre, por mais que todos duvidem, se sentir especial e mostrar que se pode ser maior que tudo! Que as dúvidas, que os adversários, que os próprios pensamentos negativos, são apenas um exercício da superação. Que o futebol era só um esporte para se representar mais forte, mas ser tricolor é algo muito maior. É sobre pertencimento. É sobre amor. Sobre ver no grito de gol e brilho dos troféus, que está sendo representado os seus sonhos em cada batalha de 90 minutos. A partir daquele abraço, meu tio me passou todo seu fanatismo tricolor e hoje, todas as conquistas que comemorei tem até um gosto mais especial. Isso passou a significar Grêmio para mim: sempre se mostrar o melhor que pode ser, resignificando a cada batalha travada a palavra IMORTAL!

No fim da tarde da última sexta-feira (17), quando a CBF divulgou o novo calendário dos campeonatos de futebol feminino, foi impossível conter o saudosismo de ver o retorno daquele time que tanto nos representa em uma modalidade que clama, com a bola no pé, pelo reconhecimento. De forma inconveniente, também, bateu quela saudade de vestir a camisa em um dia de jogo do tricolor. Daquela sensação de que tudo gira em torno de uma contagem regressiva que só termina quando o juíz apita o início da partida e o peito quase rasga em um misto de apreensão com a alegria de poder ver aquelas atletas em campo, vestindo o mesmo manto.
O Grêmio que disputa a série A1 (elite do futebol nacional), volta aos gramados jogando contra o Cruzeiro, fora de casa, no dia 30 de agosto. Os dois times não se enfrentavam desde o ano passado, quando disputavam as semi-finais da A2, quando o tricolor acabou, mesmo cravando Karina como goleadora da competição e garantindo a vaga para o acesso, sendo derrotado. Mas, desde esse confronto muita coisa mudou.

O clube de alma azul celeste hoje conta com Marta e Juliana Oliveira, suas principais artilheiras no atual momento. A maranhense Marta, mesmo ficando algum tempo afastada do clube, pelas convocações da seleção de base, onde foi campeã Sul-Americana Sub-19, em 7 jogos com o manto tricolor, balançou as redes 6 vezes. Enquanto Juliana, vem garantindo a titularidade absoluta marcando gols providenciais, como os dois que garantiram a primeira vitória do time no ano, em um jogo de temperaturas extremas – do sol escaldante até a chuva que provocou várias poças no gramado sintético do Estádio Francisco Noveletto, sendo o primeiro, um dos mais rápidos do campeonato, feito aos 3 minutos de partida.

Outra peça que se faz providencial no time tricolor é Eudimilla, centroavante que no último estadual, em 7 jogos, marcou 5 vezes. Este ano, vem sendo aproveitada pela sua velocidade, onde faz a ligação entre os setores do meio-campo, que joga costumeiramente em forma de losango, e o ataque. A jovem, que também já foi convocada para a seleção brasileira de base, tem a capacidade de conduzir o jogo de forma individual, chamando a responsabilidade de forma criativa para a formação de jogadas.

A mística camisa 7 gremista, fica com Pri Back, uma excelente batedora de bolas em longa distância e que joga ao lado esquerdo do setor de criação.

A meia cancha gremista ainda conta com Jane Tavares, Mariza e Sinara, atletas que vem mostrando muito potencial e surpreendendo positivamente em cada partida. Além de Kika Brandino, volante raíz, com raça e vontade, aquela típica jogadora sem bola perdida, que se entrega de alma em campo, indo pra peleia em cada 90 minutos.

A defesa também vem bem servida, com a experiente capitã Ana Alice, atleta com bagagem e que já atuou na Europa. Ao lado de Ana, como Andressa Pereira, vem se recuperando de uma lesão de ligamentos no tornozelo direito, sofrida após a terceira rodada do Brasileiro, sua provável companheira nesta retomada seja a prata da casa Bruna Flôr, que esteve presente no último título tricolor, onde o Grêmio ergueu o troféu estadual em pleno Beira-Rio.

Nas laterais, que no início de ano era um dos setores que preocupava, quando chegou a ter apenas duas atletas, agora conta com Gisseli, campeã Sul-Americana com a seleção Sub-19, e Isa, duas atletas polivalentes que saem para o jogo, ao mesmo tempo que preenchem os espaços de marcação. Além da velocista Rebecca e de Jissele, que neste 2020 completa 10 anos de entrega ao manto tricolor.

Este ano, temos um dos campeonatos mais fortes já disputados e o Grêmio, que está na 6° posição, aposta bastante no conjunto liderado por Patrícia Gusmão. Mesmo durante a pandemia que forçou as atletas se manterem isoladas, a técnica, com seu auxiliar Yurinha e o analista de desempenho Eduardo, ministra palestras de forma online, onde desenvolve questões táticas e técnicas, que auxiliarão na retomada. Também são monitoradas de forma remota pela preparadora física Karla Loureiro e a fisioterapeuta Letícia Ribas, onde uma série de exercícios adaptados são passados e acompanhados diariamente. Além de terem todos os sintomas da nova Covid-19, sendo cuidados de perto pela médica da equipe – Juliana.

O time do Grêmio este ano está novamente no lugar de onde nunca devia ter saído, a elite, e o sentimento é transmitido pela rede de comunicação do clube que opta por divulgar nos mesmos meios todas as ações do time, afinal, independente de modalidade, são todos de Grêmio. Porém, mesmo assim, algumas vezes parece faltar algo, falta aquela coisa que aos poucos está parecendo surgir dentro do futebol feminino tricolor: o grito de nossa torcida!
Quando o vídeo com o discurso inspirador da preparadora física Karla viralizou, repercutindo entre a nação azul celeste, impossível também não pensar o quão magnífico seria se o reconhecimento momentâneo se tornasse um elogio, não só pelas palavras ditas, mas também, pelo seu trabalho. Que essa torcida que agora está percebendo essas profissionais, passasse a ter o interesse em ver isso mais de perto. Afinal, por trás das gotas de suor de cada atleta, tem um pouquinho dela, da Letícia Ribas, da Sol – preparadora de goleiras… Em outras palavras, que esse DNA tricolor fosse enraizado dentro da torcida, num ponto onde deixaríamos de divulgar que os jogos do time feminino custam apenas 1kg de alimento não-perecível, pois não importaria mais nada, além de saber que é dia de Grêmio!

Talvez tu sejas contra o retorno do futebol nesse momento e que se sinta mal por ver o esporte retornando, enquanto pessoas, infelizmente, falecem por conta de uma doença sem precedentes. Mas, e antes disso tudo? Aliás, e depois, quando estivermos na normalidade, qual será a desculpa?
O sangue charrua sempre correrá nas veias de todos os tricolores e isso não precisa ser provado, a nossa história de lutas e glórias fala por si só, mas, já está mais do que na hora desse sentimento bater as barreiras da modalidade e não só em uma rede social, mas em vibração, pensamento e sintonia, sermos definitivamente um só: GRÊMIO!

 

Texto por: Mateus Waz

 

Twitter: @MWazmuth

Instagram: @mateus.waz

Fernando Alves/Grêmio

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