Entrevistas Grêmio

ENTREVISTA COM TCHECO

Exclusiva do Soccer News Grêmio com o ex-10 Tricolor
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1-Como é ser considerado um grande jogador da história do Grêmio mas desvalorizado por alguns por não ter títulos de expressão?

– Só de fazer parte da história desse clube já me sinto realizado, clube que hoje eu torço e valorizo, compreendo aqueles que não entendam assim, pelo simples motivo de não ter conquistado os campeonatos que perdemos, o clube estava passando por reestruturação desde a vinda da série B, mas mesmo nessas condições, chegamos a disputar título da libertadores de 2007, uma semi final de 2009, e mais um terceiro colocado no brasileiro de 2006 e o vice campeonato de 2008 no brasileiro também, conquistamos o título estadual de 2006 e 2007, então compreendo aqueles que ficaram insatisfeitos, mas mesmo assim foi uma história vivida intensamente, numa época difícil do clube, mas não me arrependo de nada, muito pelo contrário.

2-Planeja um dia trabalhar em algum cargo no Grêmio? Se sim qual?

-Hoje estou de auxilar técnico no Coritiba, já trabalhei 4 vezes no comando do clube por saída de treinadores , um ano no comando do sub 23 e mais três anos de auxiliar técnico, ano passado pelo Paraná clube, onde conseguimos o acesso pra série A, por que estou explicando isso, por que quando você está envolvido com futebol diretamente, tudo pode acontecer , desde que esteja preparado, eu quem sabe um dia isso não possa acontecer, mas se acontecer desejo estar preparado.

3-Qual jogo mais marcante pelo Grêmio?

-Não tem como dizer um jogo só, minha história foi muito além de um jogo só, ganhar um título estadual na casa do rival é marcante, ganhar o Grenal centenário é marcante, assim como perder a final da libertadores em casa é marcante, o último jogo de 2008 a torcida sabendo que tinha acabado o jogo do São Paulo e que nos ficaríamos com vice campeonato e mesmo faltando 3 minutos pra acabar o jogo ficou aplaudindo até o jogo acabar e depois do apito cantando mais forte ainda é marcante, meu último jogo ficou marcante  sabendo que você não vai mais usar a camisa tricolor dentro de campo e outros momentos que pra não ficar muito extenso acabei citando esses, até mesmo quando já não jogava mais pelo Grêmio, mas fui no último jogo do olímpico, fiquei na arquibancada pra assistir o Grenal, foi emocionante pela despedida do velho casarão que tantas emoções nos proporcionou.

4-No time atual do Grêmio, quem sai para Tcheco jogar?

-Time que está ganhando não se mexe heheheh, deixa do jeito que tá que estamos rindo à toa, só achei que no mundial respeitamos demais o time do Real Madri, mas tá bom demais o trabalho que esse grupo que já entrou pra história está fazendo e tem a fazer ainda.

5-Em 2009, a demissão de Celso Roth, culminou após perder Gre-nais. O Grêmio estava bem na competição. Na sua avaliação, qual foi o principal fator da eliminação na Libertadores e o resto do ano ruim? Foi a troca de técnico?

-Acredito que poderíamos ter chegado aquela final também contra o Estudiantes, perdemos uma semifinal pro Cruzeiro onde que o erro fatal foi não ter marcado os gols no 1º tempo, pela qualidade dos nossos jogadores, eram chances que eles não acostumavam a errar, e como a bola pune, no 2º tempo o cruzeiro matou o jogo com 3×1, na volta ainda tínhamos esperança , mas com a expulsão do Adilson aos 20 do 1º tempo eu acho, as coisas ficaram mais difíceis, acabou empatado 2×2, só pra ter uma noção, menos de um mês tivemos um jogo pelo Brasileirão contra o Cruzeiro e ganhamos por 4×1, lógico que cada jogo tem sua história e seu contexto, mas acredito muito que os gols não marcados naquele 1º tempo no jogo de ida, nos deixou fora da final, e depois que você tem uma eliminação de uma competição importante, sempre tem saídas de alguns jogadores importantes, acho que isso culminou numa queda no Brasileirão .

6-Como foi jogar naquele Grêmio x São Paulo no Olimpico abarrotado em 2007 pela Libertadores e ainda fazer gol e ver a velha avalanche?

– É gol mais lembrado meu pelos gremistas, a torcida já tinha criado uma atmosfera no olímpico muito hostil pros adversários desde a 1ª fase, eles faziam realmente a gente acreditar dentro de campo que era possível reverter algum resultado negativo, me lembro também que o São Paulo venceu o 1º jogo das oitavas por 1×0 e no final o Souza perdeu um gol na cara do Saja nosso goleiro, tentando encobrir ele, sendo que ele poderia ter feito uma jogada mais simples e ter feito o gol, como eu sempre fui franco nas entrevistas, acabei falando na saída do jogo: “ O São Paulo perdeu a classificação nesse lance “, os jogadores compraram essa ideia, a torcida novamente criou a atmosfera hostil de sempre e fomos felizes ganhando por 2×0, com um gol meu lembrado até hoje por todos gremistas, é uma sensação incrível, indescritível, só estando ali mesmo pra sentir e se emocionar .

7-Quando se especula uma possível saída do técnico Renato, vejo muitos dizendo que você poderia ser o novo técnico do Grêmio, tem alguma possibilidade disso acontecer?

-Quando acontecer do Renato sair, irão especular vários nomes que é normal, mas eu não teria essa capacidade, no Grêmio dos tempos atuais, tem que ser um treinador capacitado e com a envergadura e o peso do clube.

8-Como você vê o Grêmio em 2018? Qual a projeção de títulos?

-Vejo um Grêmio favorito em todas as competições, pois se manteve a base do time, os principais jogadores, defesa sólida e consistente, padrão tático já conhecido pelo seu treinador, então vai estar brigando sim pelos títulos, se vai conseguir é outra coisa, porque não é tão simples assim, mas é candidato com certeza e vamos torcer pra que aconteça.

9-Qual foi a sensação de ter perdido aquela libertadores de 2007?

-Eu sempre digo que não tem nenhum gremista que sentiu mais a perda daquele título do que eu, eu seria o cara que iria levantar o caneco, camisa 10, capitão e ter feito um bom campeonato, e final contra Boca Juniors, nossa trajetória até ali seria impecável, não pelos jogos só, desde a vinda da Série B, eu me segurei muito depois do jogo, mas no chuveiro no vestiário desabei a chorar, foi por pouco, mas temos que reconhecer também a qualidade do nosso adversário. Mas a torcida reconhece até hoje nossos esforços e quão marcante foi pra eles também.

10-Em 2007, o Grêmio passava por um momento difícil, turbulento, mas vocês levaram o tricolor as finais da Libertadores.
Como era o elenco? Como era, você como capitão e expoente técnico da equipe, ver aquela final que a torcida apoiou, mesmo perdendo o título?

-Nos tínhamos um bom time sim, ninguém chega a uma final por acaso, mas acima de tudo nos tínhamos um grupo muito bom de vestiário, uma boa comissão técnica, aliado a isso encorpáramos o estilo gremista e as coisas foram encaixando, foi uma sintonia ímpar com a torcida e o momento que o clube passava na dificuldade, por isso talvez isso valorize mais ainda nossa trajetória, talvez alguns não entendam assim por que perdemos o título, mas o que fizemos enobrece aquele grupo. A torcida assim como já comentei, estava carente daquela competição, e como as coisas foram acontecendo, a torcida se fortalecia e realmente passava pra nos dentro de campo o sentimento sempre de acreditar, foi assim contra São Paulo, Defensor do Uruguai, que precisávamos reverter o placar , contra o excelente time do Santos do Vanderlei Luxemburgo, e na final reverter aquele placar de 3×0 do primeiro jogo, onde jogamos com um a menos no segundo tempo lá na La Bombonera, e tínhamos que reverter em casa, mas não conseguimos, mas a torcida foi sim muito responsável pelos jogos em casa em fazer todo aquele clima de libertadores, só pra ter uma noção ,esse ano de 2007 foi diferente de 2009, foi realmente especial pro torcedor, creio eu que por que fazia algum tempo que não disputava a Copa Libertadores e estava carente já daquela competição, acredito que deva ter sido isso.

11-Resume como foi ser capitão e camisa 10 do maior do Sul

-Sentimento de realização, ser capitão, camisa 10, num clube de peso, tradição é realmente uma coisa surreal, batia pênalti, falta, quer dizer só caiu mesmo minha ficha quando sai de lá e todos comentavam esses detalhes pra mim, eu me sinto realizado mesmo por tudo que aconteceu nesse clube, acho que não precisa eu explicar por que torço pro Grêmio hoje em dia né, obrigado a torcida sempre pelo carinho, sempre que lembro da saudades, mesmo que não tenha sido uma época de glória, mas foi de luta pra chegar nos tempos de hoje. Abraço a todos e saudações Gremistas!

– por ANTHONY TEZZA

Site Grêmio FBPA

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