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DOS 5×0 AOS 5×0

Seria o fim de uma Era no Grêmio? (Opinião de Lucas von)
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O ano era 2015. O Inter perdeu uma semifinal de Libertadores improvável, depois de abrir 2×0 (em apenas 10 minutos de jogo) contra os mexicanos do Tigres, no Beira-Rio. Aí Hugo Ayala descontou ainda no 1T e depois foi expulso aos 13 do 2T: mesmo assim, o co-irmão não teve forças para ampliar. Os 2×1 de Porto Alegre custaram caro: 3×1 no México e fim do sonho. Fim também da Era Aguirre no comando técnico colorado; Odair Hellmann assumiu o time como interino. E tinha um Gre-Nal logo adiante. Resultado: 5×0 para o Grêmio com direito a desperdício de pênalti por parte do nosso camisa 10, Douglas. Podia ter sido 6.

Para muitos, ali alguns paradigmas começaram a mudar no RS. A gangorra virou. Apesar de um início meio cambaleante, o ano seguinte ao Gre-Nal histórico ficou marcado pelo fim do jejum de títulos gremista: Campeão da Copa do Brasil 2016. Penta! E aí veio o Tri América, Recopa, Gauchões e tudo o que bem sabemos. Mas aquele 5×0 marcou o início de uma Era. De um estilo de jogo do Grêmio. Da consolidação de Luan. De muitas premissas que se mantiveram íntegras nos anos de glórias que seguiram. E aí, 4 anos depois, em meio a outra semifinal de Libertadores, outro 5×0 pode ter sido emblemático: talvez o fim dessa Era iniciada em 2015.

Não estou sugerindo ou prevendo terra-arrasada, demissão em massa, dispensas alopradas ou algo do tipo. Estou querendo dizer que esses anos de glórias, que foram maravilhosos, trouxeram consigo também um porém: a vista grossa. Direção, treinador e jogadores – merecidamente – têm o respaldo da torcida. O que torna algumas cobranças mais brandas, mais tímidas, até mais escassas. Deixamos passar algumas coisas. Somos menos enfáticos quando vemos Rômulos e Galhardos sendo contratados, afinal, o Romildo tem crédito. Enlouquecemos menos do que deveríamos ao ver o Renato insistindo durante 1 ano com o André de titular, afinal, Portaluppi sabe o que faz (imagina um Zé Ricardo da vida fazendo isso aqui). E não estamos – ou não estivemos – errados. Respaldo justo, merecido e até correto em muitos casos. Mas agora algo mudou no Reino do Humaitá.

A vexatória eliminação para o Flamengo escancarou falhas na formação do elenco, carências gritantes do time e erros repetidos do treinador. Nada que não soubéssemos. Mas, “ah, vai que consegue ganhar com André… Renato é tão vitorioso que não duvido”. Pois duvidemos. A mágica acabou. A Era Encantada foi sepultada no gramado do Maracanã. Recomecemos uma nova Era, com trabalho, com suor, com renovação do grupo, com contratações mais embasadas e esmiuçadas – menos no “feeling” do Renato ou na dica do empresário e mais em pesquisas profundas de mercado e análise de dados. Começamos o ano sem zagueiros reservas e vamos acabar sem laterais reservas (entre outras posições). Não dá. Pro nível que o Grêmio chegou de competitividade, não dá. A régua tem que estar muito mais em cima. Mãos à obra!

NEM AO CÉU, NEM AO INFERNO

Repito: a goleada mudou paradigmas. Novas atitudes precisarão ser tomadas no clube. Não dá pra fingir que nada aconteceu – como tentou dizer Duda Kroeff em sua entrevista (mais uma) irritante pós jogo. É evidente que providências deverão ser tomadas. Mas também não podemos esquecer que do outro lado tinha um dos melhores times brasileiros dos últimos anos. Vi um jornalista de SP falando esses dias que “a crise do Palmeiras se chama Flamengo”, pois o Verdão tem mais pontos esse ano do que tinha ano passado na mesma rodada (e foi Campeão). E aí tão questionando tudo por lá, o futebol feio, o Mano, os atletas… Se tivessem liderando, era tudo paz. O ponto fora da curva é esse Flamengo histórico.

Ah, então tá tudo bem e o Duda Kroeff tinha razão?” Claro que não. Perder pra eles seria totalmente normal: 2×0, talvez até 3×0. Mas 5 é demais. Tomar 5 escancara nossa carência gritante de goleiro titular, por exemplo – entre outras peças. Não tá tudo ruim, não tem que mandar Geromel e Kannemann embora porque foram mal ontem. Calma. Foi um dia ruim, acontece. Mas a derrota evidenciou que uma faxina e uma busca por reforços depois dela são movimentos mais necessários – e profundos – do que, talvez, alguns supunham.

Saudações azuis, pretas e brancas.
Lucas von.

PODCAST “PITACOS DO VON”

Episódio de 24/10/19

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Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

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